Linda Lesniewski

Atraídas à Cruz é um livro que fala sobre as mulheres que estiveram no momento da crucificação de Jesus. Foi escrito por Linda Lesniewski, que fala sobre suas experiências e as vidas dessas mulheres. Confira!

EM – Quando você teve pela primeira vez a idéia sobre a crucificação?

LL – Depois de uma “viagem” de dois anos pelo livro “Tudo para ele” de Oswald Chambers, lutava com o seu desafio de “considerar a tragédia de Deus na cruz”. A maioria das mulheres que conheço, me incluindo também, treme ao pensar na crucificação de Cristo. Por semanas, ponderei como Deus poderia me usar para atrair mulheres para o assunto da crucificação de Cristo e a obra que ele realizou lá – um lugar que parecia tão emocionalmente desconfortável para muitas mulheres.

EM - Como você percebeu a presença de tantas mulheres na crucificação?

LL - A maioria das pessoas se lembra somente de 2 ou 3 mulheres na cruz, no máximo. Lembro-me que a mãe de Jesus e Maria Madalena estavam lá. Quando li sobre a história da crucificação em cada evangelho, descobri que cada um listava várias mulheres diferentes. Tive então de pegar uma caneta e escrever os nomes para mantê-los em ordem.
Para a minha surpresa, descobri os nomes de cinco mulheres, uma sexta mulher identificada como a irmã de Maria, a mãe de Jesus e uma sétima mulher cujo nome, pressupunha, vinha de versículos anteriores. Além do mais, todos os evangelhos incluíam uma referência para todas as outras mulheres. Neste livro, tento ligar os pontos importantes de suas histórias e suas vidas. Este livro não é leve e não é um “livro estritamente para as mulheres” também! Fiz um esforço deliberado para juntar as escrituras e fatos históricos. Não fatos ficcionais de como essas mulheres eram. São apenas fatos, como as escrituras e a história atestam.

EM – O que você vê de exemplar sobre a presença delas na crucificação?

LL - Comecei a pensar sobre o que as mulheres experimentaram durante a crucificação. Percebi que todos os quatro evangelhos mencionaram “as mulheres de pé à distância” da cruz. Na minha mente, podia vê-las bem juntas. Durante a minha pesquisa, também aprendi sobre um estudo interessante mostrando respostas emocionais diferentes ao estresse de homens e mulheres. Ambos os gêneros respondem com um ímpeto inicial de adrenalina. Entretanto, as mulheres experimentaram uma resposta secundária – um ímpeto de hormônio. Este hormônio atua no corpo da mulher para produzir uma sensação calma de alimentação e afeição materna como uma maneira de lidar com o estresse. Isso é chamado de “tendência e favorecimento” diferentemente da resposta masculina que é “lute ou voe”.

De repente percebi aquela reação na maneira que as mulheres permaneceram com Jesus enquanto ele morria. Este é outro exemplo da maneira única que Deus nos fez. Na cruz, as mulheres se juntaram e ficaram juntas, fortalecidas pela proximidade delas mesmas, compartilhando pensamentos, lágrimas e emoções umas das outras. Também ajudo a explicar por que as mulheres precisam juntar-se uma as outras e conversar sobre qualquer coisa que está causando estresse na vida delas.

Não suportaria em imaginar em ser uma testemunha solitária na cruz. Entretanto, se tivesse estado lá com outras mulheres naquele dia, penso que eu poderia ir e permanecer lá. Também penso que este instinto alimentador é o que incitou aquelas mulheres a ficar, mesmo quando outras partiram. O fato de Deus ter registrado a presença delas traz um significado para o que elas trouxeram sobre a morte de Cristo – a presença delas. Mesmo quando Deus deu as costas para seu filho morto, as mulheres permaneceram. Cristo não tinha que morrer sozinho.

EM – Como descoberta da presença delas na crucificação lhe afetou?

LL - Tinha várias perguntas. Quem eram estas mulheres? Por que vieram e ficaram? O que fez que elas ficassem lá e outras fossem embora? O que elas viram? O que eu posso aprender delas que pudesse levar a mim e outras mulheres para a cruz? E o que tem levado as mulheres nesses dois mil anos de volta ao local da crucificação? Estes são alguns dos assuntos que eu chamo a atenção no livro.
Também, penso pela primeira vez que posso refletir sobre a crucificação durante a ceia do Senhor e me imaginar junto a essas mulheres que considero amigas.

EM – Como escrever o livro afetou sua vida espiritual?

LL - Fiquei surpresa pelo que aprendi e senti: uma afinidade espiritual com as mulheres que estavam lá aquele dia assim como com aquelas que foram levadas à cruz através dos séculos. Quando terminei meu estudo pessoal, senti-me como se estivesse lá com elas na cruz. Espero que este livro possa provocar uma experiência similar para o leitor.
Acho que há várias razões o por que de Jesus continuamente nos levar volta à cruz, e há muitas lições de vida para ser aprendidas aqui. Para mim, tenho experimentado um novo profundo amor por Jesus e uma gratidão reanimadora por a obediência dele para a morte na cruz.

EM – Como você espera que este livro afetará outras mulheres?

LL - Oro para que as mulheres juntem-se a mim para observar as nossas primeiras irmãs em Cristo, as maravilhas e mistério do amor dele. O que quero que elas façam é o que Oswald Chambers nos desafiou a fazer: contemplar a grande obra de salvação realizada naquele dia.
Acho que é onde começamos a ver nossas vidas paralelamente às vidas de centenas de milhares de mulheres através dos tempos que fizeram a mesma viagem – pensando muito sobre a cruz. Oro para que as mulheres possam se ver como parte de linhagem fiel daqueles que adoraram e serviram a Cristo no começo de seu ministério até hoje.
Claro que as mulheres que estavam aos pés da cruz naquele dia não podiam e nem imaginavam como a presença delas nos afetaria hoje e o que a sua contribuição no reino poderia ser.  Elas não sabiam disso. Somos privilegiadas em saber o significado do que estava acontecendo. Elas não. As mulheres fizeram o que fizeram de fé simples, como fizeram aqueles que seguiram seu exemplo através dos séculos. Nesse sentido, é muito importante para as mulheres verem sua história de vida individual se encaixar num contexto ainda maior – sua contribuição, embora menor, se encaixa num cenário maior.

Coutesia de Mary Ann Lackland

Entrevista retirada do site da Igreja Batista Green Acres.

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